quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Meses bordados


Este projeto faz parte de um sonho que não se realizou: a publicação de um Diário de Gratidão. Um custo inviável para o meu bolso. Mas valeu o exercício com as mãos e a imaginação.

Não fomos felizes com estas fotos, que deixaram o linho em tons diferentes em cada uma (e as linhas, consequentemente), embora todos os retângulos fossem partes de um mesmo pedaço de linho pérola.
 












segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paisagem no linho - Bordando a cura





Aqui começa a minha aventura no linho. Irreversível. Quem começa a bordar em linho, não quer mais saber de tecido sem trama definida. E delicada. O bordado aqui flui.

Levei alguns meses bordando esta paisagem, aprendendo pontos com a Sonia Bianco, minha professora em 2009 e amiga querida até hoje. Também folheava de quando em quando o livro ABC do São Francisco, da Sávia Dumont e aproveitava algumas ideias - como estes pontos retos da foto acima.

Fiz 3 riscos sinuosos e dividi o trabalho em 4 partes: canteiro, rio, vila e céu. E enquanto bordava acompanhava meu marido num tratamento que durou 8 meses, na certeza de estar bordando a sua cura e levando um pouco de colorido aos momentos difíceis de 2009. Valeu!

Presente para minha mãe

Ainda sem conhecer as delícias de se trabalhar num pedaço de linho, bordei uma dura toalhinha de bandeja em talagarça, para dar à minha mãe. Fui inventando flores com os pontos básicos e variando as cores. Tentei resgatar um ponto ajour ou semelhante, procurando na internet, e entre acertos e erros fiz a baínha. Em março de 2008!

A Árvore da Vida




Depois de fazer o workshop com a Sávia Dumont, quis muito experimentar - inspirada pelos trabalhos da sua família - preencher toda a área do tecido com pontos e cores. Ainda usando a dura e rude talagarça, arrisquei fazer uma árvore com meus filhos e neta, além de um projeto de neto(a) deitadinho(a) no ninho, esperando que ele(a) se torne, em breve, real na nossa vida.



Basicamente usei ponto haste (tronco), ponto margarida (folhas) e alguns rococós no canteiro de flores. Tive dificuldade com as figuras humanas, mas a Sávia, num 2º workshop, me deu pequenas dicas como fazer bracinhos e perninhas com apenas 1 ponto chavão. O tracinho no meio do ponto cumpre o papel da articulação. Em agosto de 2008!

domingo, 15 de abril de 2012

Conhecendo as irmãs Dumont




Em abril de 2008 uma colega de "Jardim Secreto" me mandou um email: "uma Dumont, a Sávia, virá a São Paulo para fazer um workshop". Enlouqueci. Não poderia jamais perder uma oportunidade dessas.

As Dumont são 4 irmãs mineiras, que com sua mãe Antonia fazem um bordado coletivo. Têm seus livros próprios, ilustram livros de outros, fazem bordados sob encomenda para exposições etc.

Com a Sávia eu comecei uma mandala de pontos, do básico até alguns mais elaborados. Um bom início, porém apenas 3 manhãs.

O início dos bordados




O início foi quase "sem querer", em fevereiro de 2008. Uma proposta para criar um "jardim secreto" com linhas e fitas disponibilizadas na mesa.

Pontos? Praticamente nenhum. Aqueles da infância, da adolescência, que cada uma trazia consigo: alinhavo, ponto atrás, ponto corrente.

Novidade? Nesse dia aprendi o nó francês - que pra mim era um mistério. E logo de cara já sai usando, enchendo o céu de nozinhos amarelos.


O que a Cibele me ensinou? O nó francês e uma grande lição de vida: posso ter liberdade para bordar, não preciso ficar presa a padrões pré-estabelecidos. Em 4 aulas, ela nunca opinou sobre combinação de cores, tipo de ponto escolhido, certo ou errado. Tudo estava certo! Era o meu certo!

Além disso, ouvi falar pela 1ª vez das "irmãs Dumont". Ficou a curiosidade aguçada.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dias mais longos






Sempre que pensamos em primavera a primeira imagem que nos vem à mente é o reflorescimento da flora e da fauna terrestres.

Mas nem sempre nos lembramos de que, ao começar em 23 de Setembro, a data coincide, aqui no hemisfério sul, com o equinócio de Setembro, quando o dia e a noite têm a mesma duração(12 horas cada um). E a cada dia seguinte o dia fica um pouco mais longo e a noite se abrevia. Dessa forma aumenta a insolação no nosso hemisfério.

Também sabemos que ela termina a 21 de Dezembro, mas nem sempre temos a lembrança de que é aí que acontece o solstício de Dezembro, quando o dia tem a duração mais longa do ano (e consequentemente temos a noite mais curta, também).

Fica aqui a pergunta: o que vamos fazer de melhor com os dias mais longos que vamos ter nos próximos 3 meses?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Primavera precoce

Há 3 semanas chegamos em Campo Limpo Paulista e encontramos nosso ipê começando a dar flores – no início de agosto! Dizem que a falta de chuvas estressa as árvores e elas, prevendo seu fim, esforçam-se por dar uma última florada, ainda que fora de tempo.

Se é verdade ou não, não sei. Mas constatei o fenômeno em diversas espécies. O interessante é que, mesmo com poucas flores nesse começo, a árvore contrastou com o céu azul ao extremo, formando um lindo quadro (a Edi, que trabalha aqui em casa, perguntou: Como a senhora fez pra ficar esse céu tão azul na foto?rss). E eu, gulosa, até pensei que a árvore poderia estar completamente florida, para termos um espetáculo raro.

Ela me atendeu. No sábado seguinte estava totalmente aberta, cheia de buquês amarelos, contra um céu... cinza e totalmente nublado!

Tenho que aprender que as coisas não precisam estar perfeitas para ser maravilhosas. Tenho que criar um novo padrão de expectativa: não esperar!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pra onde ela vai nos levar?




Who knows where the road will lead us...

Como já cantava o Frank Sinatra, "quem pode dizer aonde a estrada vai nos levar? Só um louco poderia dizer"!

Nunca teremos certeza de nada com relação ao amanhã ou para onde a estrada vai nos levar. Mas podemos planejar quem estará ao nosso lado durante a viagem.

Ter um grupo de apoio, a família, uma comunidade, é muito importante na caminhada – são eles que abrem uma sacolinha com lanche e água, quando estamos de língua de fora, sem conseguir dar um passo à frente. São eles que assopram para secar mais depressa o antisséptico no nosso joelho esfolado. São a nossa conexão horizontal.

Ter um relacionamento com o Criador, um tempo de quietudo em que possamos voltar momentaneamente “pra casa”, também faz parte do suporte de viagem.


E o mais, é com a gente mesmo. Pôr os pés no chão e dar o passo - um de cada vez, hoje, amanhã e depois de amanhã.





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A flor nasce onde menos esperamos



Certa vez ouvi minha diretora comentando que o cactus era uma planta muito agressiva, cheia de espinhos, pouco amigável. Eu, que era ainda bastante jovem e tinha grande admiração por suas idéias, tomei para mim a mesma opinião. Não só a divulgava verbalmente, como também me recusava a sentir qualquer tipo de interesse pela planta.

Até que um dia, em viagem a Phoenix, descobri que esta cidade está localizada numa das regiões mais secas e desérticas do Arizona. Sendo assim, o morador comum, sem possibilidade de irrigar suas terras, só consegue ter um jardim de terra batida, marrom e seca, com um ou dois cactus adultos, coroados por círculos de pedras.

Então pensei que essas pessoas não têm outra opção, senão amar o cactus, pois é o único tipo de vegetal que se desenvolve em terra tão árida. E me abri para uma nova aventura, a de descobrir o maior número possível de espécies, com suas lindas e coloridas flores, e todos os pássaros que elas conseguem atrair.

Ao longo da vida vamos aprendendo a amar os tempos de deserto, bem como os nossos cactus. Podem até ser espinhosos, mas são nossos. E melhor: ainda conseguem produzir flores.

Hoje, quando entrei no meu escritório, tive uma grata surpresa: o pequeno cactus que comprei há cerca de 3 semanas me presenteou com uma delicada flor verde! Bênção do dia!