Certa vez ouvi minha diretora comentando que o cactus era uma planta muito agressiva, cheia de espinhos, pouco amigável. Eu, que era ainda bastante jovem e tinha grande admiração por suas idéias, tomei para mim a mesma opinião. Não só a divulgava verbalmente, como também me recusava a sentir qualquer tipo de interesse pela planta.
Até que um dia, em viagem a Phoenix, descobri que esta cidade está localizada numa das regiões mais secas e desérticas do Arizona. Sendo assim, o morador comum, sem possibilidade de irrigar suas terras, só consegue ter um jardim de terra batida, marrom e seca, com um ou dois cactus adultos, coroados por círculos de pedras.
Então pensei que essas pessoas não têm outra opção, senão amar o cactus, pois é o único tipo de vegetal que se desenvolve em terra tão árida. E me abri para uma nova aventura, a de descobrir o maior número possível de espécies, com suas lindas e coloridas flores, e todos os pássaros que elas conseguem atrair.
Ao longo da vida vamos aprendendo a amar os tempos de deserto, bem como os nossos cactus. Podem até ser espinhosos, mas são nossos. E melhor: ainda conseguem produzir flores.
Hoje, quando entrei no meu escritório, tive uma grata surpresa: o pequeno cactus que comprei há cerca de 3 semanas me presenteou com uma delicada flor verde! Bênção do dia!